O que é o Amor?
Olá amigos. Tudo bem? Eu espero que sim.
Faz algum tempo que não escrevo aqui, e este retorno tem um tempero especial, pois gostaria de compartilhar uma história que presenciei nesta semana.
No feriado passado fui convidado para uma festa de casamento de um casal amigo, para ser mais exato, da mãe e do padrasto da esposa de meu sobrinho, a Vilma e o Ayrton. Era um casamento especial. Vou editar, e fica por sua conta imaginar o que antecede esta história: O Ayrton sofre de câncer, em especifico na garganta, e o tumor é visto por todos. Para se ter uma idéia ele mal consegue girar sua cabeça. Porém não pode operar, pois o tumor está muito próximo a uma veia que faz ligação direta com o cérebro, e, portanto o tratamento é feito com radioterapia e quimioterapia.
A Vilma é separada, e o Ayrton também, mas viviam juntos há alguns anos, e visto o avanço da doença, tomaram a decisão de oficializar o casamento, algo que sempre planejaram, mas que pelas dificuldades do dia-a-dia, e principalmente da doença, não puderam realizar.
Enfim, fazendo jus ao título deste relato, quero contar o que aconteceu. O karaokê rolava solto, e em determinado momento os protagonistas desta história resolveram cantar. A Vilma com muita disposição. O Ayrton com muita dificuldade. Cantaram a música “Caça e Caçador” de Fabio Júnior, e no trecho que diz: “(…)Quem guarda tudo em segredo, e vive numa ilha, de repente o amor por destino ou dispor joga armadilha, não há mistério na paixão, verdade ou mentiras, a gente é o que é, homem ou mulher(..).”, com o Ayrton já sem conseguir cantar, o mundo parou. Ninguém mais existia naquele lugar, as pessoas sumiram. No mundo deles, só eles existiam, e seus olhos, já lacrimejando, fixos um no outro, a poucos centímetros de distância, mostravam o tamanho da felicidade que existia dentro deles. Só Deus poderia responder o que se passava na cabeça dos dois naquele momento. Eu já estava achando isso maravilhoso, afinal é um gesto que poucas pessoas perceberam, pois a maioria estava preocupada em beber e comer. Aliás, casamento é sempre assim, você só se lembra que está em um quando chega, passadas algumas horas, tudo é festa e você acaba até esquecendo o motivo daquela festa. Mas o que eu não sabia, era a surpresa que teria mais tarde.
Na hora de cortar o bolo, escutamos antes uma linda mensagem gravada por um grande locutor amigo nosso, e perfeitamente editada e montada por Moacir Justi, meu sobrinho, que de imediato fez com que o casal se emocionasse. Acabada a mensagem, em um gesto que ninguém esperava, o Ayrton pediu silêncio, tirou de seu dedo a aliança, símbolo daquela união, repetiu a ação com a Vilma, enquanto todos, atônitos, aguardavam o que ele faria. E de posse das duas alianças, ele as ergueu, e começou um discurso, inesperado, sem textos, apenas com palavras que partiam diretamente de seu coração para sua boca, e disse que ninguém naquele lugar imaginava o quanto aqueles pequenos objetos eram importantes para ele. Ninguém poderia imaginar o quanto de amor ele tinha por aquela mulher, e o quanto ele estava feliz. Um sonho estava se realizando, e por poucos minutos o que ele disse, fez com que todos, sem exceção de ninguém, chorassem. E era um choro de emoção, um choro verdadeiro, pois eles superaram tantas dificuldades por aquele momento. E terminou seu discurso com um “Eu amo todos vocês, meus amigos, por estarem aqui vivendo este meu momento de felicidade. Obrigado”.
Bom, nem preciso dizer que foi o casamento que nunca irei esquecer. Principalmente porque na semana seguinte, o Ayrton fez alguns exames, e foi notado que o tumor agora pode ser extirpado, pois se deslocou e não oferece risco à vida em uma cirurgia.
De verdade, isso é uma história de amor. É como diz o sacerdote: “Na saúde ou na doença, na tristeza ou na alegria”.
Grande abraço a todos e até a próxima.
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